Aluno:
Ricardo Emanuel.
TRAGÉDIA ANUNCIADA
Já era noite, o frio chegava
lentamente na minha cidade, quando de repente ouvi um barulho estrondoso e logo
depois gritos e mais gritos:
- Ai meu Deus! Não acredito que
aconteceu novamente...
Saí correndo da minha casa. Ao abrir
a porta, deparei-me com uma montanha de poeira que tomava conta da rua em pleno
centro da cidade.
Fui correndo desesperadamente até o
local, e à medida que a poeira ia baixando fui percebendo o que havia
acontecido: o estrago que um caminhão desgovernado havia acabado de fazer
naquela famosa curva da morte.
Vi que o caminhão estava
completamente destruído, e o pior é que havia atingido uma das casas que se
localizava em frente ao asfalto. A imagem da casa atingida não podia ser pior: vigas
quebradas, portas e janelas estraçalhadas. Caos total.
Aproximei-me mais ainda e presenciei
uma cena inesquecível: um homem e duas mulheres mortos, em frente à casa, totalmente deformados e irreconhecíveis, vidas
ceifadas em fatídicos segundos.
Os médicos da localidade rapidamente
foram chamados, mas ao ver os corpos perceberam já era tarde demais. Os
familiares das vítimas logo se aproximaram e o choro e a tristeza tomaram
espaço naquela cena que mais parecia um filme de terror.
Momentos dolorosos para aquelas
pessoas que tiveram que esperar a perícia e o corpo de bombeiros chegaram para
cumprir a triste a heroica missão de retirar os corpos das vítimas
Já era tarde da noite, o frio da
madrugada acentuava o ar melancólico no semblante das pessoas que se
aglomeravam para planejarem protestos de reivindicação. A causa dos acidentes
em pleno centro da cidade era evidente: uma curva fechada, seguida de uma
ladeira íngreme e extensa impedia a visão dos motoristas, levando-os a perder o
controle do veículo. Problema que tinha solução, mas ninguém tomava providências.
Problema que já tirou a vida de homens, mulheres e crianças, deixando filhos
órfãos, mulheres viúvas, mães desesperadas. A tragédia atual era, portanto, uma
tragédia anunciada.
No dia seguinte, a fumaça de pneus
queimados tomou conta do asfalto. Era a única coisa que a população podia fazer
para chamar a atenção das autoridades. Era o seu desabafo. Se os governantes
iriam fazer alguma coisa? Só o futuro diria...
Segui
fazendo minhas reflexões, enquanto acompanhava o enterro de uma das vítimas:
uma jovem mulher que tinha ido fazer compras na cidade.
Pessoas
nas calçadas acompanham o cortejo fúnebre com olhares tristes e ansiosos, sabiam
que continuariam convivendo com o medo de a qualquer hora outro caminhão
desgovernado acabar com vidas inocentes, destruir famílias e lares... Sabiam
também que precisavam fazer alguma coisa!
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