Recife, 10 de setembro de 2025.
Prezado jovem:
Escrevo esta carta com a finalidade de conscientizar as pessoas sobre a preservação do pouco que resta do meio ambiente. Vou contar-lhes uma história:
Em uma faculdade, em Recife, Valdomiro era um dos professores mais capacitados da capital pernambucana. Antes de ir para a cidade grande, morava em uma ruela pobre no sertão do Pajeú, lugar quente, semi-árido, com pouca vegetação.
Valdomiro, mesmo sendo um professor qualificado, não seguia totalmente o plano de ensino. Alunos já se reclamavam porque Valdomiro não abordava as questões ambientais.
Quando ouvia falar, principalmente pelo pequeno radio que tinha em casa, frases como: “A poluição no planeta chegou ao nível máximo”, “Preserve o meio ambiente”,” Não faça queimadas”, tudo entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Não dava a mínima para o meio ambiente, principalmente para as árvores, pois não valorizava os inúmeros benefícios que esses seres traziam para as pessoas, como: papel, madeira, carvão, substâncias medicinais, além de diversos tipos de frutas.
Às vezes até chegava a dizer aos seus alunos:
- Pessoal pense bem nisso, hoje tem muita água, muitas árvores, tudo o que precisamos do meio ambiente tem com abundância, não temos como saber quando isso vai se acabar, nem se vai acabar.
Passou-se um ano, dois anos, três anos... Muitos anos...
Valdomiro já estava velho, perto de se aposentar, estava nos seus últimos dias de aula, e o reitor da faculdade propôs aos professores que deviam dar uma palestra sobre a prevenção e a conscientização em relação ao meio ambiente.
Valdomiro, já que era o seu ultimo ano como professor, deveria fazer uma síntese para apresentar na palestra.
E faltavam apenas alguns dias. Valdomiro, na véspera de fazer a palestra, passou mal, foi internado, e passou por vários exames. No dia seguinte, o médico entrou na sala dele, abriu a envelope que continha os exames e disse-lhe que sua doença estava relacionada à falta de ar, além de problemas renais.
Na verdade, Valdomiro já estava com os seus dias contados, porque o ar já estava muito poluído, a água estava contaminada, encontrar árvores era uma raridade, a natureza estava por um fio, igual à vida dele. Recuperou-se um pouco, embora a respiração estivesse péssima. Mesmo com muita dificuldade, decidiu voltar à faculdade e fazer aquela palestra tão esperada por todos. No peito, o arrependimento por não ter cuidado da natureza, clamava o perdão.
Muito abatido, subiu ao palco e proferiu as seguintes palavras:
“Agora, os nossos filhos e nós mesmos pagamos um preço alto e, sinceramente, creio que a vida na terra já não é mais possível dentro de muito pouco tempo, pois a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como as belas árvores que povoavam nossas praças nos fazem falta! Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer alguma coisa para salvar o nosso planeta. Para mim, é tarde demais, nada mais posso fazer. Fica nas mãos de vocês, meus jovens, tentar fazer um milagre.” Cabisbaixo, afastou-se em passos lentos.
Atenciosamente:
Um velho Jacarandá que salvou-se do machado dos humanos
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