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MAIS UMA CRÔNICA PRODUZIDA PELOS ALUNOS



Aluno: João Elias Barbosa Alexandre - 8ª série A

SONHADOR

                De repente soou um grito:
                - Acorda!
                Essa simples palavra entoada em um forte grito quebrara aquele meu simples jeito de acordar com aqueles saudosos raios de sol que tocavam meu rosto e o cheirinho de café que levantara-me da cama.
                - Tome!
                - O que?
                - Compre isso de café para eu fazer. Rápido!
                Essa ordem, logo cedo, de mais ninguém poderia ser além de minha mãe que com palavras singelas me pedira para comprar café.
                Com os pés descalços e moedas nos bolsos, saí entoando um passo atrás do outro na rua sem movimento da minha pacata cidade, uma Princesa que vive no castelo dos meus sonhos, percorrendo a calçada observando coloridas pipas saltando no ar, aquelas crianças humildes e alegres correndo pelas ruas como se fossem aquele suave vento da minha cidade e como sempre eu me deparo com os velhos casarões que guardam em cada tijolo uma história de conquistas sangrentas como o palacete do coronel Zé Pereira.
                Em meio a tanta alegria observei na porta do mercado, entrar uma garota franzina, porém sem brilho nos olhos, pezinhos descalços e desgastados e uma pele surrada.
                - Saia daqui! – Retrucou o dono da venda.
                Acostumada com a humilhação, desprezo e miséria, abaixou a sua cabecinha e retirou-se vagarosamente daquela velha venda de portas de madeira, chão de tábua, janelas escancaradas e paredes com cheiro forte de mofo onde se via resíduos de velha tinta verde.
                Prontamente, retirei cuidadosamente as quatro moedas do me bolso e resolvi dividi-las, designando metade para comprar café e o que restou comprei um pão dormido, pois os novos ainda estavam no forno.
                Ela nem esperou e saltou em minha mão para obter aquele pedaço de pão, e cuidadosamente saboreava como se fosse a coisa mais valiosa do mundo e sussurrando um “obrigada” com gentileza.
                - Mas o que você ganha com isso moleque? – Interrogou o dono da venda.
                - Meu senhor, eu ganho uma coisa que não tem preço: ela me presenteou com um sorriso e com o brilho nos seus olhos... E hoje durmo sonhando com sapatinhos brilhantes para seus pés.

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