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OFICINA DE CRÔNICAS: RETRATANDO O COTIDIANO


O pescador

Ainda hoje lembro, dos meus tempos de criança, quando saíamos para brincar sem nos preocuparmos com os perigos da vida. Recordo que para ir à escola passava por um lugar onde havia um lago com algumas cercas ao redor.
Seu Zebedeu, um velhinho, negrinho, sofrido e muito trabalhador ia todos os dias pescar naquele lago. Muitas vezes ele passava pela minha casa, com aquela cara de preocupado, cabisbaixo, e tão desanimado. Quando ele nos via brincando, ia distribuir as balinhas tão especiais, e assim conseguia arrancar do nosso rosto um belo sorriso, ficávamos muito felizes. Nós perguntávamos o porquê de tanta tristeza, e ele respondia: “Quase nunca consigo pegar um peixe naquele lago!”, e nós falávamos sempre: - Ah! Seu Zebedeu, quem tem fé consegue o que quer!
Ele sorria e dizia que a gente tinha razão.
Lembro também do dia que ele conseguiu pegar um peixe, “êita” Deus, mas o homem ficou alegre por demais, passava na nossa rua cantarolando as suas velhas canções de Amado Batista. Nós ficávamos alegres em vê-lo assim.
Tenho muitas saudades desse tempo! A rua hoje em dia tem trânsito, antigamente as crianças pintavam e bordavam no meio da mesma. É... muitas coisas mudaram.
Mas de uma coisa eu sei... Seu Zebedeu ainda hoje é lembrado pelos vizinhos que o chamam de – O pescador.

AUTORA: JÚLIA YONE DA SILVA PEREIRA

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